Teatro José Maria Santos recebe etapa final do Festival Homero em novembro 06/11/2026 - 10:01
O Teatro José Maria Santos, que integra o Centro Cultural Teatro Guaíra, recebe de 26 a 29 de novembro a etapa final do Festival Homero 2026. A programação reúne montagens de quatro cantos da Ilíada, de Homero, com apresentações de quinta-feira a domingo, sempre às 20h. Realizado pela Cia. Iliadahomero de Teatro, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, o festival começou na quarta-feira (4), no Teatro Barracão Encena.
Cada canto é encenado como uma peça independente, com seus próprios personagens e conflitos. Ao longo da programação, o público acompanha episódios que vão das estratégias dos deuses e da espionagem militar à intimidade familiar e ao duelo entre guerreiros. A seleção percorre diferentes dimensões da Guerra de Troia, dos embates no campo de batalha às relações entre os personagens.
O festival faz parte de uma pesquisa que a companhia desenvolve há mais de duas décadas sobre a dimensão cênica da poesia homérica. O trabalho parte de uma pergunta que orienta as montagens — o que muda quando um poema épico é ouvido em cena? Ao dar voz aos personagens, a companhia explora o ritmo dos versos e os contrastes entre as falas, retomando a experiência coletiva de escuta que marcou a transmissão desses poemas.
Serviço:
Festival Homero Curitiba 2026
Apresentações: 26 a 29 de novembro (quinta a domingo) de 2026, às 20h
Local: Teatro José Maria Santos | Rua Treze de Maio, 655 - São Francisco, Curitiba/PR
Tempo de duração do espetáculo: 90 minutos
Classificação etária: 12 anos
Especificação do espetáculo: Teatro
Ingressos: R$80,00 (inteira) | R$40,00 (meia-entrada). À venda pelo DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra.
Programação Completa:
Apresentações: 4 a 8 de novembro (quarta a domingo) de 2026, às 20h
Local: Teatro Barracão Encena – Rua Treze de Maio, 160, Centro
4 e 5/11 (quarta e quinta), 20h | Mauro Zanatta, Ilíada, Canto 6
A abertura da mostra acontece com o Canto 6 da Ilíada, interpretado por Mauro Zanatta. Em contraste com os episódios de batalha, este canto oferece uma pausa profundamente humana na narrativa. Nele temos o encontro entre Heitor, Andrômaca e o pequeno Astíanax, uma das cenas mais emocionantes de toda a literatura ocidental. O herói troiano surge não apenas como guerreiro, mas como marido, pai e cidadão, confrontado pela consciência do destino que aguarda sua cidade.
Mauro Zanatta, ator de sólida trajetória no teatro paranaense, destaca-se por seu trabalho voltado à construção de personagens de grande densidade emocional. Sua leitura do Canto VI evidencia precisamente essa dimensão humana da epopeia, revelando a delicada convivência entre heroísmo, afeto familiar e consciência trágica.
7 e 8/11 (sábado e domingo), 20h | Fernando Alves Pinto, Ilíada, Canto 10
Na sequência, o festival apresenta o Canto 10, com interpretação de Fernando Alves Pinto. O episódio, tradicionalmente conhecido como Doloneia, acompanha uma missão noturna de espionagem conduzida por Diomedes e Odisseu. A atmosfera é marcada por suspense, deslocamentos furtivos, estratégias militares e decisões tomadas sob extrema tensão. Trata-se de um dos cantos mais cinematográficos da Ilíada, onde a guerra aparece através da inteligência, da infiltração e da capacidade de agir em território inimigo.
Fernando Alves Pinto é um dos nomes mais conhecidos de sua geração, com extensa atuação no teatro, cinema e televisão brasileiros. Sua trajetória reúne trabalhos em produções de grande repercussão nacional, sempre marcada pela intensidade interpretativa e pela atenção à palavra. Sua participação no Festival Homero reforça o diálogo entre a tradição épica e a cena contemporânea brasileira.
Apresentações: 26 a 29 de novembro (quinta a domingo) de 2026, às 20h
Local: Teatro José Maria Santos | Rua Treze de Maio, 655 - São Francisco, Curitiba/PR
26 e 27/11 (quinta e sexta), 20h | Eliane Campelli, Ilíada, Canto 14
O terceiro espetáculo da mostra apresenta o Canto 14, interpretado por Eliane Campelli. Conhecido como o episódio do “Engano de Zeus”, o canto apresenta Hera mobilizando sedução, inteligência e estratégia para interferir nos rumos da guerra. Trata-se de um dos momentos mais sofisticados da construção dramática homérica, no qual a disputa militar é temporariamente substituída pelo jogo político e amoroso entre os deuses do Olimpo. A narrativa revela um Homero atento às relações de poder, à persuasão e às complexidades do desejo.
Eliane Campelli desenvolve trajetória destacada no teatro paranaense como atriz, pesquisadora e educadora, reunindo ampla experiência em processos de criação voltados à palavra e à presença cênica. Sua interpretação do Canto XIV coloca em primeiro plano a força feminina presente na epopeia, revelando uma Hera simultaneamente sedutora, calculista e decisiva para o desenrolar dos acontecimentos.
28 e 29/11 (sábado e domingo), 20h | Helena de Jorge Portela, Ilíada, Canto 7
Encerrando o festival, Helena de Jorge Portela interpreta o Canto 7, dedicado ao célebre duelo entre Heitor e Ajax. O episódio concentra-se no ideal agonístico que estrutura grande parte da cultura grega arcaica. Dois campeões enfrentam-se diante dos exércitos, submetendo sua coragem, técnica e reputação ao julgamento público. O combate transforma-se em espetáculo ritualizado, no qual honra, reconhecimento e excelência ocupam o centro da cena.
Helena de Jorge Portela desenvolve uma trajetória marcada pela investigação das relações entre corpo, voz e linguagem poética. Sua participação no Festival Homero contribui para ampliar a diversidade de perspectivas presentes na mostra, reafirmando a capacidade da poesia homérica de acolher múltiplas vozes e diferentes formas de presença cênica.
Informações:
Redes Sociais: @ciailiadahomero
FICHA TÉCNICA: Direção artística: Octavio Camargo | Direção de produção: Giceli Camargo | Elenco: Mauro Zanatta, Fernando Alves Pinto, Eliane Campelli e Helena de Jorge Portela | Iluminação: Beto Bruel | Montagem e operação de luz: Clever d`Freitas (Teatro Barracão Encena), e Victor Sabbag (Teatro José Maria Santos) | Documentação e arte gráfica: Gilson Camargo






