“O Preso”: crítica à corrupção, ao fanatismo e à falsa moral estreia no Teatro Zé Maria 16/01/2026 - 13:59
O Teatro José Maria Santos, em Curitiba, recebe em fevereiro o espetáculo “O Preso”, uma montagem que transforma corrupção, fanatismo e falsa moral em um retrato ácido do Brasil. As apresentações acontecem de 11 a 15 e de 18 a 22 de fevereiro, de quarta a domingo, às 20h. Os ingressos já estão à venda pelo DiskIngressos.
Escrita e dirigida por Jul Leardini, a peça reúne no elenco Ulisses Iarochinski, Diego Avelleda e Roberto Guedes em atuações marcadas por intensidade e simbolismo. Mais do que uma crítica direta, O Preso propõe um espelho incômodo da sociedade brasileira, expondo as contradições entre discursos de moral, família, religião e patriotismo e práticas recorrentes de corrupção, cobiça e violência.
“Vivemos tempos em que se confundem fé e ideologia, moral e poder, religião e mercado. Essa peça não traz respostas, mas tenta abrir fissuras. É um convite para que o público olhe de frente o que preferimos ignorar”, resume o diretor.
O retrato do “homem de bem” — A trama acompanha Cabrálio Balaústra, personagem que sintetiza o arquétipo do político patriota, religioso e defensor da família, da propriedade e da liberdade — mas também ganancioso, corrupto e violento. Preso por corrupção, ele enfrenta um processo de degradação moral e humana: a família se desagrega, os aliados desaparecem e antigos parceiros passam a explorá-lo por meio de propinas e favores, mesmo atrás das grades. Apesar da prisão, o poder permanece. Cabrálio conserva privilégios sustentados pela corrupção que atravessa o próprio sistema carcerário.
“O personagem é resultado de um caldeirão que mistura política, religião, moralidade e crime. Ele não é uma caricatura isolada, mas um reflexo de muitos nomes, rostos e discursos que marcaram o país nas últimas décadas”, explica o diretor Jul Leardini.
O dramaturgo destaca que o texto não busca retratar uma figura específica, mas sim uma estrutura de poder entranhada na cultura política brasileira. “Cabrálio representa uma engrenagem que não para. Ele é o produto e o produtor de uma lógica corrompida que já faz parte da nossa normalidade. O público vai se reconhecer - não necessariamente no político, mas no sistema que o mantém”, afirma Leardini.
Teatro como espelho e denúncia — Com cenografia e sonoplastia também assinadas por Leardini, o espetáculo aposta na fusão entre teatro, imagem e som para criar uma experiência sensorial intensa. A encenação é marcada por um ritmo cinematográfico, em que os espaços se transformam - cela, palanque, templo e tribunal se confundem, revelando a sobreposição entre fé, poder e impunidade.
A iluminação de Beto Bruel - com releitura de Madu Teixeira - conduz o olhar do espectador pelos contrastes da narrativa - entre o brilho do poder e a penumbra da culpa - enquanto as músicas compostas por Leardini e os arranjos de Adriano Sátiro reforçam a atmosfera crítica e irônica da trama. “O teatro tem a função de provocar. De incomodar. Não queremos que o público saia confortável. Queremos que saia pensando, rindo nervosamente, reconhecendo no palco o absurdo que virou cotidiano”, diz o diretor.
Com humor corrosivo, sarcasmo e poesia, “O Preso” questiona a cumplicidade social que sustenta a corrupção, apontando o dedo não apenas para o político, mas para uma cultura de idolatria e fanatismo. “O preso não é só o político, somos nós. Somos os cúmplices, os cegos convenientes, os que elegem, os que perdoam, os que esquecem. A prisão, na peça, é também simbólica: a prisão das ideias, das crenças e das mentiras que escolhemos acreditar”, completa Leardini.
Produzido pela ÊXEDRA Pesquisa e Experimentação Teatral, o espetáculo reafirma o compromisso do grupo com um teatro de reflexão política, estética rigorosa e engajamento social.
Serviço:
"O Preso"
Apresentações: 11 a 22 de fevereiro de 2026 (quartas-feiras a domingos), às 20h
Local: Teatro José Maria Santos | Rua 13 de Maio, 655, São Francisco, Curitiba-PR
Tempo de duração do espetáculo: 1h
Classificação etária: 16 anos
Especificação do espetáculo: Teatro
Ingressos: R$ 36 (inteira) | R$ 18 (meia-entrada), à venda pelo DiskIngressos e na bilheteria do Teatro José Maria Santos, 1h das sessões
Informações:
Ficha Técnica
Texto, direção, cenografia e sonoplastia: Jul Leardini
Elenco: Ulisses Iarochinski, Diego Avelleda e Roberto Guedes
Iluminação: Beto Bruel e Madu Teixeira
Figurinos e maquiagem: Marcelino de Miranda e Jul Leardini
Programação visual e coordenação: Cirlei Gonçalves
Músicas: Jul Leardini
Operação de iluminação: Madu Teixeira
Operação de imagens: Jul Leardini
Objetos cenográficos: Ivana Lima e Laercio Leardini
Cenotécnicos: Loana Terra e Cirlei Gonçalves
Manipulação de Boneco da Cobiça: Karla Rocha, com apoio de Loana Terra
Operação de sonoplastia: Orlando Brasil
Arranjos musicais: Adriano Sátiro
Interpretação musical: Jul Leardini, Adriano Sátiro e Norma Cecy
Vozes off: Loana Terra, Claudia Venturi e Jul Leardini
Estúdio de gravação: Nilton Andrade (Studio THz)
Produção: ÊXEDRA Pesquisa e Experimentação Teatral
Produção local: Arliet Lira
Transporte: Orlando Brasil Júnior
Assessoria de imprensa: Andressa Tavares
Agradecimentos: Luiz Gustavo Vardânega Vidal Pinto, Marli Wor e Rosangela Aparecida Silva, Cleverson Cavalheiro, Áldice Lopes e os funcionários do Teatro José Maria Santos










