"História" encerra comemorações dos 25 anos da Companhia Brasileira de Teatro 25/05/2026 - 16:26
A importância da relação entre memória coletiva e memória íntima na construção de uma trajetória histórica de um país chamado Brasil é um dos pontos de partida para a pesquisa e criação da peça “História”, que estreia em 6 de junho no Teatro Guairinha, em Curitiba. Com texto e direção de Marcio Abreu, e criação e produção da companhia brasileira de teatro, o espetáculo criado coletivamente em salas de ensaios, tem em cena a atriz Carolina Virgüez, o ator Rafael Bacelar e o músico Felipe Storino.
“História” é apresentado pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet e do Governo do Brasil, e está inserido em um projeto mais amplo, de manutenção da companhia brasileira de teatro, um dos mais importantes e reconhecidos coletivos das artes cênicas do país, que se estrutura em três eixos principais de atividades, realizadas ao longo do período de um ano (agosto/2025-julho/2026).
A ideia do espetáculo surgiu de uma consciência que foi se formando de um trabalho a outro da companhia, no curso de uma pesquisa em longo prazo que tem erupções em diversas obras de Marcio Abreu. Desde "Projeto Brasil", peça de 2014 criada a partir de estudos sobre discursos públicos e de olhares diversos para a História do país e seus dilemas, passando por "Preto", de 2017, obra emblemática e que se inscreve na curva histórica, antecipando discussões que logo ganhariam mais amplitude na sociedade sobre imagem social, coexistência de diferenças, a síncope como linguagem e a nossa melhor ancestralidade advinda das raízes africanas. Culminando em "Sem Palavras", peça de 2021 que materializa em sua dramaturgia as narrativas que costumeiramente não tem lugar na História e que se torna corpo-livro.
Já em "Ao Vivo - dentro da cabeça de alguém", de 2024, e "Sonho Elétrico", de 2025, a companhia apresenta peças que se voltam mais radicalmente para a investigação das relações possíveis entre memória íntima e memória coletiva. Nas duas peças, de diferentes maneiras, há o exercício de pensar os territórios dos sonhos, dos imaginários e das memórias como dimensões da vida e as suas capacidades perceptivas e de ação no mundo. Em ambas as peças, o público é convidado a entrar na cabeça de uma artista, uma personagem ficcional, acessar aos recônditos de sua memória, e percorrer um percurso quase fotográfico na História de uma geração e de um Brasil, percebido através de múltiplas vozes e corpos, ampliando a perspectiva do ser na dimensão do sonho manifesto como ação no mundo, agora.
“Escrevi e encenei essas peças, igualmente imantado pela presença de cada artista que ocupa a cena. Cada corpo que está ali presente é em si e antes de tudo um conjunto de narrativas. Cada corpo é escrito. É História. E a questão mais importante que se impõe como desafio de linguagem é como fazer reverberar essas presenças, mesmo em construções ficcionais. A ficção me parece, nessa pesquisa e no tempo histórico que vivemos, um fundamental elemento para tornar Memória e História perceptíveis no acontecimento artístico”, afirma Marcio Abreu.
A peça que estreia agora, em 2026, “História”, segue essa pesquisa e reafirma a qualidade mutável da História, essa ciência que investiga e analisa as ações, transformações e permanências nas sociedades humanas ao longo do tempo, criando uma obra no Teatro hoje, que contemple múltiplas narrativas escritas e orais, arquivos, objetos e imagens que se compõem e recompõem, as paisagens individuais e coletivas da vida e da memória. A peça também busca compreender o presente, utilizando fontes como relatos, fotos, histórias, memórias, canções, vestígios, lacunas para reconstruir e repensar as experiências.
A nova peça da companhia, “História”, é também uma insurgência, uma ressignificação de sentidos e um ato de partilha, já que busca iluminar e atuar no campo de disputas urgentes de narrativas que ficaram e ficam sistematicamente de fora da chamada “História oficial”. Esta pode determinar a vida e o destino de indivíduos e de comunidades. Mas indivíduos e comunidades podem, provavelmente, deixar marcas na História através de seus atos e movimentos. A História habitualmente aceita como tal é aquela registada de forma escrita e baseada em princípios e modelos teóricos assimilados com o tempo e de acordo com as hierarquias do pensamento formal. Mas, certamente, a História está antes e além da chamada História oficial. De múltiplas narrativas se faz a História que nos inclui e da qual queremos fazer parte. São as pessoas e os coletivos humanos que fazem a História.
A peça é especialmente atravessada pela encruzilhada do nosso tempo, e chama para a urgência de ocupar a História no calor do momento, uma ação de construção no presente, de criar memória no presente, curvando-se para o passado e para o futuro num só giro espiral, como define poética e filosoficamente a nossa mestra maior Leda Maria Martins. A esse chamado, nós artistas precisamos atender. Se não fizermos a História, seremos feitos por ela. É esta a divisa. Não há outra.
É uma peça sobre estar vivo agora. É uma espécie de ensaio sobre vivências no tempo, sobre como colocar tempos múltiplos em relação, no presente, uma ação concreta de construção no presente e no Teatro. Em cena, os tempos - histórico, subjetivo, futuro e da memória - estão todos em convivência.
“História" é uma pesquisa, criação e produção dos membros da companhia brasileira de teatro: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria. Com uma equipe diversa de multiartistas e parceiros da companhia, conta com as colaborações criativas e dramatúrgicas de toda equipe: Key Sawao, bailarina e artista da cena e que assina a direção de movimento da peça; trilha sonora original e direção musical do multiinstrumentista e compositor Felipe Storino que também está em cena; assistência de dramaturgia da artista da cena Idylla Silmarovi; figurinos do estilista e criador Luiz Cláudio Silva e seu Apartamento 03; e cenografia do arquiteto, designer e artista Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura. Foi ainda atravessada e contaminada por toda experiência deste Projeto maior, em especial das três residências Voo Livre e todos e todas as artistas, especialistas, pensadores e colaboradores que atuaram nessa experiência maior, e estão devidamente nominados na ficha técnica deste Projeto.
O Projeto — O espetáculo “História”, apresentado e patrocinado pela Petrobras por meio da Lei Rouanet, encerra as comemorações dos 25 anos da companhia brasileira de teatro, e foi articulado em 3 eixos.
O primeiro eixo é a criação deste novo trabalho, iniciado com dramaturgia original, com o título de “História”, e que leva em conta as relações possíveis entre história coletiva e história pessoal, como cada indivíduo, cada sujeito na sociedade pode interferir na história coletiva e como os fatos, os acontecimentos históricos coletivos podem determinar a história de uma pessoa. A importância da relação entre memória coletiva e memória íntima na construção de uma trajetória histórica de um país.
O segundo eixo é a pesquisa para a construção dessa dramaturgia, com a presença de pensadores, técnicos e artistas de diversas áreas das 5 regiões do país, e dividida em dois procedimentos:
Seminários abertos ao público e um dispositivo de criação, criado por nós da companhia, que se chama Voo Livre, ao mesmo tempo pedagógico e criativo.
O terceiro eixo é a circulação da companhia e de seu repertório de 25 anos de trabalho ininterrupto nas regiões Norte e Nordeste.
Todo esse projeto tem conexão entre esses três eixos, e foi desenvolvido ao longo de um ano. A companhia, sediada em Curitiba, se afirma como um movimento criativo, dinâmico, em desenvolvimento e em transformação, e nesses 25 anos incorpora o olhar e o trabalho de artistas de diversas regiões em todas as suas criações, entendendo também os deslocamentos simbólicos e de linguagem que estão envolvidos no pensamento da companhia.
A urgência do momento e as transformações da sociedade são absolutamente coerentes com a trajetória desse coletivo que se espalha pelo Brasil, que se afirma no deslocamento no território brasileiro e para além do Brasil, e na construção de um trabalho em longo termo, em longo prazo, de continuidade, de verticalidade na relação com o público e de proposição de ponta, de construção de arte de ponta com um diálogo intenso com o público e de desenvolvimento de linguagem.
Serviço:
Apresentações: 6 e 7, de 10 a 12 e 14 de junho de 2026
(Não haverá sessão no dia 13)
Quarta a sábado, às 20h
Domingos, às 17h e 20h
Local: Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha) | Rua XV de Novembro, 971, Centro, Curitiba/PR
Tempo de Duração do espetáculo: 90 minutos
Classificação etária: 16 anos
Especificação do espetáculo: Teatro
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) | R$ 30,00 (meia-entrada), à venda pelo DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra
Informação:
FICHA TÉCNICA: Texto Final e Direção: Marcio Abreu | Pesquisa e Criação: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria [companhia brasileira de teatro] | Dramaturgia: Marcio Abreu, Carolina Virgüez, Rafael Bacelar, Key Sawao, Nadja Naira, Felipe Storino, Idylla Silmarovi, Cássia Damasceno e José Maria | Criação e Performance: Carolina Virgüez e Rafael Bacelar | Direção técnica, Iluminação e assistência de direção: Nadja Naira | Direção de produção e administração: Cássia Damasceno e José Maria | Direção Musical, Trilha Sonora Original e Performance: Felipe Storino | Direção de Movimento, assistência de direção e colaboração criativa: Key Sawao | Figurinos: Luiz Cláudio Silva - Apartamento 03 | Cenografia: Marcelo Alvarenga - Play Arquitetura | Assistência de dramaturgia e colaboração criativa: Idylla Silmarovi | Assistência de produção e arte: Taís Morgado e Kauê Mar | Fotos Ensaios – Etapa RJ: Nana Moraes | Fotos Ensaio – Etapa SP: Ethel Braga | Programação Visual: Pablito Kucarz e Miriam Fontoura| Mídias Sociais: Kalindi D’Elia | Assessoria de Imprensa - Curitiba: Fabiano Camargo | Produção local - Curitiba: Meire Abe | Criação e produção: companhia brasileira de teatro








