Concerto mistura sotaques curitibano e carioca de Alceo Bocchino
18/10/2021 - 18:21

A vida e a obra de Alceo Bocchino (1918-2013), um dos fundadores da Orquestra Sinfônica do Paraná - consagrado entre os mais importantes músicos brasileiros -, sobem ao palco em um concerto no próximo dia 26 de outubro, no Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha), em Curitiba. A apresentação faz parte do projeto “Homenagem ao centenário de Alceo Bocchino: canções inéditas para clarineta”, que lançará durante o evento um disco com as mesmas quatro peças integrantes do programa do espetáculo. Além disso, a iniciativa vai promover a gravação de concertos didáticos e a realização de masterclasses para estudantes de música no formato virtual.

 

Alceo Bocchino foi escolhido como homenageado pelo projeto por ter sido um dos mais importantes músicos da história no Brasil. Foi um maestro, arranjador, pianista e compositor que nasceu em Curitiba, mas ao longo da vida sempre dividiu seu sotaque e coração entre o Rio de Janeiro (onde foi colega e colaborador musical de Villa-Lobos), e a capital mais fria do Brasil. Ele é famoso pelo uso do termo “curitiboca” em uma de suas composições, a “Divertimento Curitiboca” (1993) - cuja versão gravada dentro do projeto é inédita. 

 

A palavra “curitiboca” na terra do leiTe quenTe usualmente é associada à junção entre “curitibano” e “boboca”, mas não para Bocchino. “O que ele queria era transformar o termo na junção dos espíritos do curitibano e do carioca”, enfatiza Marcelo Oliveira, um dos idealizadores do projeto. Marcelo Oliveira, clarinetista, conviveu com Bocchino desde os anos 1990 até o fim da vida do maestro. O início da relação entre os dois se deu quando Oliveira era músico da Sinfônica do Paraná, da qual Bocchino era o maestro. Depois, brotou uma amizade entre os dois. 

 

O clarinetista brinca que essa relação de proximidade guarda uma coincidência, pois o clarinetista nasceu em Nova Friburgo, no interior do Rio de Janeiro, tendo vivido sete anos na capital carioca. Posteriormente, Oliveira radicou-se em Curitiba, sendo assim uma espécie de oposto complementar de Bocchino.  “Essa relação que ele fez entre o curitibano e o carioca é o contrário para mim, então posso dizer que conheci bem essas maneiras de ser, das personalidades meio genéricas entre Rio e Curitiba. Essa mistura representa bem esse projeto como um todo, no qual trago esse sotaques todos”, revela Oliveira.

 

Essa relação aparece inclusive na própria capa do disco que será lançado no dia do evento. A imagem faz referência ao petit-pavê famoso internacionalmente do bairro de Copacabana, no Rio, com a imagem da calçada em frente ao Teatro Guaíra, no centro de Curitiba. “Toda essa relação do projeto tem a ver com a brincadeira do curitiboca. Na obra dele há momentos em que ele retrata o chorinho, um ritmo nascido no Rio de Janeiro. E tem alguns trechos que ele mostra um lado meio europeu da música, pois Curitiba ainda é um pouco mais europeia do que o Rio, principalmente na música erudita”, reflete Oliveira.

 

O projeto

 

O projeto “Homenagem ao centenário de Alceo Bocchino: canções inéditas para clarineta” contou com a aprovação em edital pela Fundação Cultural de Curitiba e captação de recursos por meio de Lei de Incentivo. As músicas já estão disponíveis nas plataformas digitais (Spotify, Amazon Music, YouTube, iTunes). Além disso, haverá a distribuição de CDs com o álbum completo. O projeto também prevê uma live, master classes gratuitas e serão disponibilizados vídeos, partituras e materiais didáticos. Para acessar todo o conteúdo e acompanhar os lançamentos, acesse: https://gramofone.com.br/alceobocchino/

 

Serviço

Concerto de lançamento do álbum “Homenagem ao centenário de Alceo Bocchino: canções inéditas para clarineta”

Data: 26/10/2021
Horário: 20h
Local: Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha)

Mais informações: https://gramofone.com.br/alceobocchino/

Contato para entrevistas: Antonio C. Senkovski - 41 98865-2020 (Whatsapp)

 

Programação:

O concerto do dia 26/10 começa com “Divertimento Curitiboca”, de Alceo Bocchino, interpretada por Marcelo Oliveira (Clarineta) e Hermes Drechsel. Em seguida, Daniel Mendes (viola) se junta à dupla para a execução da obra “Trio para Clarineta, viola e piano, com os movimentos Saudade (homenagem a Bocchino), Amor e Alegria. Na sequência, os músicos Marcelo Oliveira (Clarineta), Rafael Ferronato (violino), Ricardo Molter (violino), Daniel Mendes (viola) e Samuel Pessatti (Cello) executam duas composições de Santiago Beis: o Quinteto nº.1 e Mosaico.

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