Veja depoimentos de alunas da Escola de Dança Teatro Guaíra
23/04/2020 - 15:24

Maria Luísa Martins dos Reis, 22 anos

“Durante esse período de quarentena, um aluno não pode se dar ao luxo de ficar parado. A gente poderia ter consequências como perda de massa muscular, flexibilidade e técnica. Em casa a gente não pode treinar passos com grandes saltos ou deslocamentos, então as professoras direcionaram o trabalho para exercícios musculares e mesmo aulas teóricas”, diz Maria Luisa.

A gente reconhece o trabalho incessante das professoras, que têm adaptado todo o conteúdo para o espaço das nossas casas e focando no trabalho do corpo.

Pessoalmente, para mim tem sido ótimo para minha saúde mental manter uma rotina. As aulas estão me tranquilizando. Esse esforço de nos manter conectados, de reforçar vínculos entre professores e alunos é uma válvula de escape de socialização.

Sentimos muitas saudades do espaço do Guaíra, nada substitui as aulas presenciais, sentimos falta das salas, do teatro, da energia, dos abraços, mas vamos continuar tentando tirar o melhor dessa situação. Então fiquem em casa”.

 

Nicole Strapasson Sprada, 17 anos

“Lembro do dia do início da pandemia. A gente já vinha tomando algumas precauções, sempre higienizando as mãos. Estávamos no ensaio quando as professoras avisaram sobre a suspensão das atividades. Foi uma reação de espanto, porque o Guaíra nunca para. Foi a primeira vez na história do teatro que todo mundo estava saindo sem saber quando iria voltar, então causou uma sensação de insegurança. É muito difícil manter certas coisas no balé sem a ajuda de um professor.

Também ficamos inseguros com a aula on-line no início porque é muito difícil transformar uma casa em um estúdio de balé. A cadeira da mesa vira uma barra de exercícios, o chão não é propício. Mas temos duas palavras: força de vontade e cooperação.

Hoje as aulas on-line têm sido incríveis. Claro que todo mundo preferiria estar dentro do Guaíra, mas acho que tudo está sendo feito da melhor forma possível.

Estamos focando em aperfeiçoar a técnica, pequenos detalhes que fazem uma mudança gigantesca. Além das aulas práticas, estamos fazendo discussões importantes, sobre alongamento, por exemplo. São detalhes que na correria do dia a dia não eram possíveis de serem trabalhados.

Achei que a adaptação ia ser bem complicada, mas não senti muito. A gente já vive em um mundo muito conectado. Mas exige mais responsabilidade. A experiência em si é muito boa, estamos levando de maneira bem leve, mas o trabalho que precisa ser feito está sendo feito.

Acho muito bom poder manter as aulas, porque estamos tentando manter a rotina para que quando tudo volte ao normal a gente não passe o resto do ano recuperando o que foi perdido e sim aproveitando-o da melhor forma possível. Acho que coisas muito boas vão poder ser tiradas de tudo isso”.

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