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Obra de Raul Cruz é apresentada no Guaíra

O Miniauditório do Teatro Guaíra foi pequeno para receber o número de pessoas interessadas na obra do artista plástico e dramaturgo Raul Cruz, apresentada pela diretora de teatro Letícia Guimarães na noite desta terça-feira (dia 16). Trechos de duas peças – “Foz” e “Grato Maria Bueno” – foram intercalados com depoimentos em vídeo do próprio autor, morto em 1993.

A projeção deu nova dinâmica ao espetáculo, permitindo uma compreensão mais ampla da obra teatral e da personalidade de Raul Cruz. A apresentação, parte do ciclo Teatro Paranaense em Três Atos – história, leituras dramáticas, depoimento, contou com oito atores da Companhia do Abração, grupo dirigido por Letícia.

Ao final, Letícia Guimarães e Paulinho Daher falaram sobre suas experiências de trabalho com Cruz, num depoimento coordenado pelo ator e sonoplasta Chico Nogueira. De acordo com Letícia, o teatro de Cruz causava estranhamento na década de 80, mas tinha um público fiel entre seus pares, como Antonio Abujamra, Felipe Hirsch e Guilherme Weber, entre outros.

Na opinião de Daher, Raul Cruz era um formador de artistas, na medida em que provocava e despertava atuações consideradas mais que expressivas. Letícia diz que não se sentia uma atriz, ao trabalhar com Cruz, mas “tinta” que ele usava para pintar.

Morto aos 37 anos, Raul Cruz deixou apenas quatro peças teatrais, que estão sendo compiladas a partir de registros em vídeo, já que ele não as colocou em papel – além das duas apresentadas agora, são “A Ponte” e “A Outra”, que teve produção do Teatro Guaíra. Ele também montou “Cartas a Pierre Riviére”, de Jean Genet. As peças foram montadas pelo grupo que criou, o Companhia das Índias.

Raul Cruz também participou de ações coletivas de artistas em ruas, praças e museus, fez parte dos movimentos Moto-Contínuo e Bicicleta e foi um dos criadores da União dos Artistas Independentes Contemporâneos, grupo atuante nas áreas de artes plásticas, dança contemporânea, fotografia e teatro. Recebeu o prêmio Gralha Azul pelo melhor cenário, por seu trabalho na montagem de “As Bruxas de Salém”, de Arthur Miller.

Pinturas e vídeos com peças de Raul Cruz podem ser vistas, até o dia 19 de outubro, na exposição “Cena Raul Cruz”, em cartaz no Centro Cultural do Sistema Fiep.

Ao final, Letícia Guimarães destacou a importância do ciclo de leituras dramáticas, que acontece uma vez por mês com obras de autores paranaenses e direção de diretores premiados no Gralha Azul. Diante de uma plateia formada basicamente por alunos de teatro, ela destacou o pouco conhecimento que se tem do teatro paranaense e a oportunidade de discuti-lo.

A diretora artística do Centro Cultural Teatro Guaíra, Mara Moron, informou que os depoimentos e as atividades do ciclo vão integrar a memória do teatro paranaense e serão colocados à disposição de pesquisadores e do público interessado.

CICLO – No dia 18 de novembro, o ciclo contará com a leitura dramática de “Trecentina”, de Enéas Lour, com direção de Cleide Piasecki. E para 9 de dezembro está programado texto de Laerte Ortega a ser escolhido pelo diretor Roberto Inocente.

Até agora foram apresentados trabalhos de Eddy Franciosi, Manoel Carlos Karam, Edson Bueno, Paulo Biscaia, Mario Bortolotto e Glauco Flores de Sá Brito, que dá nome ao Miniauditório.

A entrada no Auditório Glauco Flores de Sá Brito é gratuita em todos os eventos do ciclo, realizados sempre às 19h30. Alunos de teatro que comparecerem a 75% das leituras receberão certificado de Extensão Universitária emitido pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

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