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Joana D'Arc é tema de leitura dramática em ciclo que resgata teatro paranaense

 Diante de uma enorme cruz e da réplica da espada do Rei Carlos 7º, da França, doze atores fizeram a leitura dramática da peça “O Julgamento de Joana”, de Eddy Franciosi, no ciclo de leituras dramáticas “Teatro do Paraná em Três Atos – história, leituras dramáticas, depoimento”. O espetáculo, nesta terça-feira à noite, no Miniauditório do Teatro Guaíra, reuniu uma plateia de cerca de 100 pessoas, que assistiram também depoimentos do diretor da leitura, George Sada, e do ator Antonio Sérgio Busnardo, com mediação de Chico Nogueira.

O ciclo, iniciado em março deste ano, prossegue até dezembro, sempre enfocando autores paranaenses, para fazer o resgate de obras praticamente esquecidas e promover o debate sobre o teatro curitibano e suas realizações. O autor da peça, Eddy Franciosi, foi também jornalista e um grande incentivador do teatro amador. Ele dirigiu durante seis anos (1956-1962) o grupo Teatro de Adultos do Sesi, onde também atuaram Lala Schneider e José Maria Santos.

O diretor George Sada contou que a escolha do texto de Eddy Franciosi teve vários motivos, entre eles o fato de falar sobre liberdade e mudança e ter sido escrito durante a ditadura militar brasileira. “Quis também fazer o resgate de uma época em que o teatro contava com um público maior em Curitiba”, disse Sada, que também é professor de teatro e se confessou alarmado com a falta de interesse dos estudantes de hoje na história do teatro de Curitiba.

“Por isso valorizo muito esse projeto (o ciclo de leituras dramáticas)”, disse Sada, porque está preocupado com a falta de engajamento da geração atual. Num sentido político, o diretor teatral disse ter levado em conta, ainda, o fato de Franciosi ter sido vítima de um crime homofóbico, em 1990, assim como outro ator curitibano, Cleon Jacques, que dá nome ao auditório do Centro de Criatividade, no Parque São Lourenço. “É assustador que esses crimes aconteçam ainda hoje em Curitiba”, disse.

JOANA – O ator Antonio Sérgio Busnardo fez o papel do Rei Carlos na montagem que o grupo de teatro amador do Colégio Estadual do Paraná fez de “O Julgamento de Joana”, na década de 60, com direção de Telmo Faria. Foi um enorme sucesso, contou. Durante um mês, a obra lotou o auditório Salvador de Ferrante, o Guairinha, e ficou mais um mês em cartaz no Teatro Dulcina de Moraes, no Rio. A própria Dulcina veio a Curitiba assistir a peça e levou a produção para o Rio.

Em sua opinião, o teatro feito em Curitiba na década de 60 representou um salto enorme de qualidade; deixou de ser “familiar” para ganhar profissionalismo, apesar de a maior parte da movimentação ainda se dever ao teatro amador.

O ciclo de leituras dramáticas, que já debateu Manoel Carlos Karam, prossegue em junho com a leitura de “Anatomia Humana Segundo Vico e Campanella”, de Edson Bueno, com direção de Paulo Biscaia. Em julho será vez de Bueno dirigir “Morgue Story”, de Paulo Biscaia Filho.
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