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Esposito e a História de Mila


Miguel Esposito é daquelas pessoas que parecem ter nascido dentro do teatro Guaíra. E de certa forma, é isso mesmo. A primeira vez que entrou em cena foi aos 10 anos de idade, num festival folclórico representando o Grupo República do Uruguai, escola em que estudava. Esposito nunca mais deixou a casa, a não ser para fazer cursos voltados à arte. No teatro ele já fez muita coisa além de ter sido ator, e dos bons.
Formado pelo Curso Permanente de Teatro-CPT, atuante escola de atores do Guaira - criada em 1962 e extinta em 1986, quando foi incorporada como curso regular, por uma universidade de Curitiba - além de atuar,  Esposito tem contribuido com a arte de muitas formas: "fiz de tudo, até lavar e passar. Era um atendimento completo” diz ele, com bom humor. De olhar carinhoso e alegre, Esposito hoje, é responsável pelas visitas monitoradas realizadas pelo teatro, cujo roteiro é rico de informações da história do Guaira, incluindo tanto os aspectos ligados à construção e arquitetura do edifício, como aqueles que dizem respeito às produções artísticas. Além disso, um aspecto da visita que não escapa a ninguém, é a maneira divertida como, aqui e acolá, relata os fatos pitorescos que aconteceram nos bastidores do teatro.

É Esposito quem conta a história de Mila.

   O ambiente no teatro era de festa e expectativa. Tudo pronto para a estreia da Aída, famosa ópera de Verdi. A peça sob a direção de Oswaldo Loureiro trazia como figurante nada menos do que Mila, uma elefanta de verdade. Trazida de um circo, era a vedete do momento. Ficava na frente do Guaira presa  por uma corrente na pata, causando mal estar junto aos grupos de proteção aos animais. Não faltavam curiosos para vê-la, na rua e no palco. Sucesso absoluto de público. Pudera, além da beleza dos cenários e figurinos e o desempenho dos artistas, a ousadia de trazer ao palco, ela, sua majestade, Mila, a elefanta carinhosa, de olhar compenetrado, e muito espontânea, segundo o pessoal do teatro que contracenou ou conviveu aqueles dias com ela. Chega o momento. Mila entra em cena tendo em seu dorso o tenor Ivo Lessa, altivo no papel que lhe cabia. Sob o olhar estupefato, o público delira: OHHHHHH!!!!!! e rompe em aplausos efusivos. Mila, acostumada às sessões de circo, diante dos aplausos se curva gentilmente,  para fazer seu agradecimento, derrubando o astro.  Esse fato  levou o Diretor nas sessões seguintes, no início do espetáculo, solicitar ao público por favor, não aplaudir naquele momento para evitar maiores percalços.
Mas Mila não aprontou só essa. Retirada da frente do teatro para ser poupada do assédio do público, fora levada para o Circulo Militar. É então, que protagoniza outro fato. Certo dia, Mila assustada por alguma situação que não se conhece ao certo, rompe em retirada. Derruba o muro e foge. Faz o percurso entre o Círculo Militar e o Guaíra, pacificamente. Foi essa a cena vista pelos atônitos frequentadores dos bares nas proximidades do teatro. Mila andou, andou, cansou, se sentou em cima de um automóvel. Dali foi para a frente do teatro, onde esperou bonita e pacientemente, a chegada do seu treinador. E continuou a participar das sessões do Aída.
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